quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lágrimas...

E assim, às vezes eu choro... tu choras, nós choramos...


Lágrimas ocultas


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)



2 comentários:

crisblog disse...

Adoro Florbela...caramba Mari por aqui está lindo !

Beijinhos.

Mari disse...

Valeu Cris, mas não vai chorar hein, rsrsrs

Bjs